Sunday, March 28, 2010

November Rain

We've been through this such a long long time
Just tryin' to kill the pain
But lovers always come and lovers always go
An no one's really sure who's lettin' go today
Walking away
If we could take the time to lay it on the line
I could rest my head
Just knowin' that you were mine
All mine
So if you want to love me
then darlin' don't refrain
Or I'll just end up walkin'
In the cold November rain
...
Guns N' Roses - November Rain

Sunday, February 21, 2010

feelin' the same way...

Decidi construir uma escada, a tua escada. Os degraus, esses vou considerá-los mentirosos. Porquê? Escondem o teu verdadeiro substrato, pelos menos os primeiros!
Ainda me lembro da arrepiante sensação do primeiro degrau: olhar penetrante, sorriso enviesado, a timidez da paixão, o desejo. Perfeito, diria!
Vi-me sem medo e fui subindo, pela primeira vez enfrentei a escada destemidamente e fui feliz. A ignorância tem muito poder!
Subia, subia e não encontrava o fim. Senti-me cansada, por vezes, mas era um adorável cansaço. Afinal de contas, o fim não era desejado.
Mas os últimos degraus revelaram-se. L e n t a m e n t e, friamente...
Agora que cheguei ao fim não gostei daquilo que vi. Durante a minha longa caminhada idealizei a chegada de uma outra forma, sublime!
Mas tu idealizavas também. As tuas palavras, o teu olhar, o teu toque...pareciam tão reais que eu continuava subindo inocentemente. E de repente, "Boom! There you were, revealing yourself".
Os degraus desapareceram tão rápido. Será que alguma vez eu lhes toquei?
Maldita escada!

Thursday, January 21, 2010

lost...

Quero dormir...quero dormir hoje, amanhã, depois de amanhã. Quero dormir até ao momento em que acordar e tudo não ter passado de um pesadelo!
Para onde quer que olhe tu estás lá. Por todos os cantos aparecem coisas tuas, não dá mais para fugir delas. E o sítio onde estás mais presente é aquele onde a tua falta se faz sentir de forma destacada, dentro de mim.
Peço-te, não vens. Não te peço, mas não desapareces!
Estás em todos os meus cantos assim como eu estou em todos os teus...resta-me saborear a minha mágoa!

Friday, December 04, 2009

Walking down Nightmare Street, half asleep on my feet, half aware if i'm dreaming...


A culpa é tua, tempo! E da pressuposição do eterno...


Fiz-te beijo eterno, abraço eterno, sorriso eterno. Esgotei-te as palavras, os eleogios, os defeitos. Desejei e recebi. Sonhei e concretizou-se.

Fomos ruas paralelas, trilhos sinuosos, rumo perdido. Fomos noite e dia. Fomos luz e escuridão. Tudo o que fomos não deixa motivo para dúvidas mas não tão claro assim é aquilo que ainda não fomos. E é o que não fomos que me desperta interesse. E as tuas palavras; insistentemente negadas, é certo. Ou melhor, descredibilizadas.

E permanece inefável esta sensação. Sim. Não. Quente. Frio. Quero. Não quero. E no fim tu continuarás a minha história como personagem principal...

Permanecem os meus anseios. Permanece aberta a minha incompletude. Porque só abres os olhos quando eu os fecho...porque mascaras os recantos mais sinceros da tua alma. Porque esses enlevos ferem...e porque sentes apenas por momentos.

Não! Não são memórias esbatidas que te movem para as profundezas do teu silêncio nostálgico. São emoções vivas que assustam e que teimam em não diluir.


I love the look of you,

the lure of you

The sweet of you,

and the pure of you

The eyes, the arms, and the mouth of you

The east, west, north, and the south of you

I'd love to gain complete control of you

Handle even the heart and soul of you

Love at least a small percent of me do

'Cause I love all of you...


*Whatever made us do it. Say, aren't you kind of glad we did?

Thursday, October 22, 2009

In the morning...


O sol penetra com todo o seu esplendor os vidros frios, no entanto, a negra noite perdura. A instabilidade e imprevisibilidade da condição humana é assustadora, num minuto sentia-se a mulher mais feliz do mundo e, no outro imediatamente a seguir, provou os recantos mais tenebrosos do abandono, da desilusão, do desgosto...(no reasons, no reasons at all). Tudo se torna pequenino e implacavelmente incapaz de atenuar os maus sentimentos que, entretanto, ditam as regras do jogo.
Gostava de saborear o arrependimento que, num passado não tão longíquo quanto parece, ele saboreou. Sente que o merece e é a consciência disso que não a deixa respirar.

"each time i tell myself i dont care, i care even more...", será? não constata isso e a dor dessa não constatação provoca uma morte lenta e dolorosa daquilo que mais precioso existe para ela.

Desta vez, terá que deixar ser perdida. A cascavel que saiu da boca dele encontrou prazer nela e o veneno foi disparado, e mais disparado, vezes sem conta, matando as suas forças, o seu sorriso, a sua vida. Quer levantar a cabeça e não consegue, quer andar e não consegue. Quer...

Baixa armas, espera que o arrependimento se desvende aos poucos. Anseia por ele como quem anseia pelo calor de um abraço, pela ternura de um beijo...

I wish I could say I love you without thinking about the terrible things you did, the way you mada (and still make) me feel in front of everyone. Problaly you don't remember, but you were the one who asked me to stay, that I could stay in your place and then you start...and i cant finish this text cause it's way too painfull.
Do something!


Saturday, September 12, 2009

The long way home...

Olhou para a mensagem e sentiu uma suave dor no peito. Leu uma vez e mais uma e mais uma, até que as lágrimas a invadiram e, por momentos, levaram consigo a visão. F...
Entretanto, outras notícias despistaram por umas horas a sua mente e, consequentemente, aquilo que a atormentava.


Noite. Silêncio. Inevitável confronto. A mente recuperou a consciência de si e não tardou em alertar. As dúvidas abundam. O sobressalto, o medo, a ansiedade, revelam-se sentimentos dolorosos e que perturbam a razão. A cabeça deitou-se na almofada molhada e fechou os olhos.
In the morning...
As suas palavras mudaram tudo. Não esperava notar esperança na sua voz, nem brilho, nem determinação, nem vontade. Mas tudo estava lá, cheio de vida e ela sorriu, ao mesmo tempo que saboreava as gotículas salgadas nos seus lábios. A força dele tornou-se a força dela. A vontade dele tornou-se a vontade dela. Tiveram vontade de se amar.

O medo ainda mora nela, mas vai ficando cada vez mais apertado. Por agora, pensa em amá-lo, onde quer que ele esteja. A saudade. Essa só vai tornar ainda mais forte o desejo.

Now in the dark,
I get such a thrill
When he presses his fingertips
Upon my lips
And he begs me to please keep still.
But soon,
This dance will be endin'
And you're gonna be missed...

*Olho para o relógio e adoro cada hora que passa, porque és tu cada vez mais perto de mim.

Friday, July 17, 2009

From a whisper to a scream...

When you give half of you,
I want all of you.
I miss you baby. Please, come back!
*see you in my dreams...

Friday, June 26, 2009

Michael Jackson (1958-2009)


The legendary...
we will never forget this thriller night...
*God rest your soul

Thursday, June 11, 2009

you put a spell on me


Sorry, you found her! She has endured a tumultuous time of temptation and loss to reach the turning point. And boom! There you were, shining.


To be irrevocably in love with him makes her feel whole. Overwhelmed (like there had never been any hole in her chest). They belong together, her life is all about what she has to give him. And then she starts thinking about his arms, holding against him and feeling the sweet scent that comes of his skin...


"And then we continued blissfully into this small but perfect piece of our forever".


You put a spell on me, cause I was yours!

Sunday, May 24, 2009

Little Princess IX - Those sweet words...


Castigar-se por deixar que a sua alma se entregue tão facilmente ao devaneio ao assistir a coisas aparentemente utópicas não é a melhor opção, sabe disso. Mas serão utópicas?

Não são. Por que produzem tais efeitos em si?

Porque sempre lhe faltaram as palavras. E, agora, por mais que as tenha nunca chegam e é por isso que deixa que a nostalgia a invada quando assiste à mais sublime e irreal expressão dessas palavras. Será que o que tem é aquilo que se pode pedir à natureza humana? Será o máximo?

Ela precisa de mais. Tem esta descontrolada sede, incapaz de ser suavizada, e que lhe incute a dolorosa ideia de escolher outro caminho. De desistir...

Esta sede é uma espécie de inconsciente irracional, que aproveita qualquer momento de melancolia para a magoar e para a deixar louca com os sentimentos que, entretanto, despoleta.


Pensa em contar-lhe, ele merece saber que não está bem. Mas sabe que será sempre incompreendida e que, para outros olhos, será sempre suficiente o que já existe. Se lhe conta, segue-se um arrogante e indignado relato sobre os feitos mais recentes. No final, a culpa encarna nela. Não é que não lhes dê valor. Dá e está absolutamente segura disso. É por isso que estas perguntas tanto a tormentam.

Continua sozinha. Continua o vazio.


Lost...


You've been running and hiding much too long.

You know it's just your foolish pride...


Tuesday, March 24, 2009

Little Princess VIII - The Nearness Of You


"Amo-te pode ser?"

Em tempos passados, mas ainda não tão esquecidos quanto gostaria, diria ser loucura sequer imaginar apreciar todos os movimentos produzidos por uns lábios quando proferem a tal palavra, aquela que provoca um arrepio no dia de mais calor, aquela que faz arder os olhos devido às pequenas gotas salgadas que se apoderam deles entretanto. A palavra amo-te. Uma coreografia cuidadosamente ensaiada pela nossa boca, que começa com uma suave abertura, passa por um subtil toque no meio e acaba com um imperceptível estalido produzido pela língua.
Foi loucura durante muito tempo mas teve tanto de loucura como desejo e acabou por chegar. A instabilidade de que foi vítima leva-a a considerar uma eventual sobrevalorização mas não pode, de maneira alguma, negar os efeitos que tem em sim, o quão era esperada e a doce recepção. Corresponde-lhe, de forma indubitável e segura, no entanto, teme a sua fugacidade…

Sabe que, irremediavelmente, ainda não desfruta do sentimento de leveza de forma plena e despreocupada, ainda não descobriu todos os recantos desta sua nova existência. A estabilidade demora a chegar e não acredita na plenitude da sua presença.

Dá por si a ficar aborrecida com pequenas coisas (apesar de não saber qual o poder dessas pequenas coisas) e, ao reflectir sobre isso, é, irrevogavelmente, obrigada a admitir que tais aborrecimentos dificultam o seu caminho rumo ao equilíbrio e evidenciam-se, até, por uma certa injustiça da sua parte. Conhecer o fogo é luxo. Vacilar por tais aborrecimentos é incoerente e absurdo…tem consciência disso e sabe o quão importante é para si esforçar-se por valorizar mais o aparecimento do fogo…

Agora tem as palavras. As palavras que sempre faltaram. Como é bom ouvi-las e ao mesmo tempo perscrutar o olhar que as irradia. Como é bom deslumbrar a doce coreografia dos lábios ao proferi-las. Como é bom senti-lo, de todas as maneiras.
O tempo tem trazido novas marcas, incluindo no seu corpo. Toca-as. Lembra outras mãos que não as suas. Lembra outro toque que não o seu. Sente o suave arrepio…

“Its like wishing for rain as I stand in the desert

but I’m holding you closer than most,

‘Cause you are my heaven.


Heaven doesn’t seem far away anymore...

Friday, February 13, 2009

Little Princess VII - Full Moon


"Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente,..."


Feriu-se. Feriu-se toda a sua vida e tantas vezes que a indiferença passou a ser a sua resposta mais natural a esse ferimento. Sendo essa a sua resposta dava por ela a avaliar quais as respostas dos demais. Alguma indiferença, algum espanto, uns sorrisos enviesados de quem encara o acto como uma loucura misturada com uma agradável dose de imaturidade, algum espanto mais acentuado, e eis que alguém se destaca com uma atitude deliciosamente inesperada.


Caiu-lhe uma madeixa de cabelo mas rapidamente a prendeu atrás da orelha. Este movimento fez com que o cheiro da pessoa que estava ao lado se tornasse implacavelmente irresistível. Ardia na garganta e sentia-se a asfixiar, percorria as paredes do nariz e provocava-lhe doces náuseas, tocava a sua pele e arrepiava-se...

A ferida agravou-se, o sangue escorria e pela primeira vez sentiu-se incomodada com esta sua tendência de há já algum tempo. A sua vergonha fez com que desviasse o olhar, de forma a proteger-se de eventuais expressões de repugnância mas elas não apareceram e o coração acelerou como quem pede a morte. Esperou mais algum tempo, deixou-se chegar ao limite. Pegam-lhe na mão e ela sentiu-se destruída. "I could be your own Edward", evoca.


Um gesto, um simples gesto. Uma atitude inconsequente mas que para ela foi tão nobre quanto um suspiro.

"Porque demoraste tanto?", pergunta.

Recentemente acreditou ter conhecido o fogo, aliás escreveu sobre isso. E de facto conheceu, salvaguardando o facto de que conhecer parte deste não pressupõe conhecê-lo na íntegra. E conhecê-lo na íntegra era tudo o que ela não objectivava. Mas os seus planos sempre foram atraiçoados, tem consciência disso.

E conhecê-lo na íntegra é sentir o alento, o amparo, o arrepio quente, o beijo frio, o toque suave, o sorriso desconcertante que a deixa tonta, o suspiro gélido que a transporta para as profundezas do silêncio dos amantes. É sentir o esperado, o inesperado, a esperança louca que traz consigo ondas de memórias esbatidas,...


"At his side and drunk on pride

We wait for the blow

..."


*For anyone who falls in love every day*

Tuesday, January 20, 2009

Little Princess VI – Bedtime stories


O telemóvel toca, sente a leve impressão da vibração na cabeça, mais uma vez adormeceu com ele ao lado. Abrir os olhos, a mais dificil das acções quando não queremos sair do plano em que a mente estava antes de ser interrompida e quando não queremos entrar no que se avizinha, o real. Pensa no tempo que lhe resta até começar a sentir o peso da responsabilidade. Uns cinco minutos, não mais do que isso. O suficiente para realizar uma série de flashbacks e de se entregar de corpo e alma ao doce devaneio.
A noite foi marcada por mais uma daquelas conversas infrutíferas que regra geral resultam em mal entendidos, cruéis provocações ou, em situações em que o nervosismo domina, suaves insultos. Nem sempre olham para ela da mesma forma, sabe disso. Ora é vista como uma mulher, crescida o suficiente para poder seguir deliberadamente certos caminhos, tendo capacidades para realizar um percurso mais ou menos estável, ou então como uma criança, que julga saber alguma coisa da vida só porque já leu uns livros.


Is she good enough for him?


Perante a escada, optou por passar alguns degraus à frente e tropeçar noutros por achar que não se identificava com certas etapas, o que as tornava perfeitamente dispensáveis. Hoje sabe que não é assim. Tudo faz parte, pelo que deve ser vivido. Ainda que o tempo de fixação mude de etapa para etapa, ainda que tivesse dispensado menos tempo em algumas por serem pouco compatíveis com o seu ser, devia pelo menos ter passado...experimentado! Predominaria agora a dúvida se assim tivesse feito? Gosta da instabilidade, não se imagina com a estabilidade que vê no próximo, no entanto inveja-a. Eis a principal questão, aquela que lhe tira o sono, aquela que lhe provoca a dor de pensar...


Lembra mais uma vez a conversa, as temáticas abordadas. As diferenças entre eles não podiam ser mais evidentes e mais uma vez clarifica isso na sua mente. Entre banalidades e coisas mais sérias, surgem frequentemente conteúdos mais emotivos e/ou conteúdos intimamente ligados aos implacáveis desejos da natureza humana e o fim, esse, não podia ser mais previsível, uma pergunta ou um comentário que não conhece resposta, pelo menos nas próximas horas...
Já passaram os cinco minutos. Realidade paralela revista e posta de lado (pelo menos até estar suficientemente ocupada para não se lembrar), é hora de começar mais um dia e piscar o olho à verdadeira realidade. Olha-se ao espelho, pelo menos continua a gostar da imagem que vê, acaricia as novas marcas do tempo e sorri quando sussurra em jeito de lembrança P e q u e n i n a...

Thanks to my girl. Don´t stop paying me visits while I’m asleep.

Tuesday, December 30, 2008

Little Princess V - Fogo e Gelo


Tal como havia protagonizado há tempos atrás, apareceu! Não que a sua presença seja constante, no entanto é deliciosamente rara.



“I trust you...”, relembra. Há certos aspectos em que está absolutamente segura, como o facto de saber que lhe irá ficar eternamente grata por ter feito com que o seu maior pesadelo não seja agora mais que uma memória esbatida. Gostava que ele estivesse consciente da sua gratidão, mas não pode aprofunfar o indesejável, não pode permitir a si mesma viajar uma vez mais pelos caminhos controversos que outrora conheceu. A sua gratidão só pode ser manifestada através de palavras imprecisas e gestos autênticos e ele, ainda assim, agradece sem questionar, sem querer saber mais. É o fogo que contrasta com o gelo a que estava habituada. “Como o fogo é bom”, pensa. Apesar de ainda não ser mais do que uma chama em ascensão é suficientemente forte para lhe sentir o alento, o doce amparo!



Nunca havia reflectido (pelo menos com a atenção devida) qual lhe proporcionaria mais prazer, o fogo ou o gelo. Mas sempre questionou o seu gosto pois, tencional ou intencionalmente, o gelo sempre intersectou o seu caminho, pelo menos nos últimos troços percorridos. Mas agora que experimentou o fogo, não sabe por qual dos dois quer morrer...são ambos fortes e manipuladores. Talvez o mistério de que se faz revestir o gelo o torne implacavelmente desejável, o que contrasta com a doçura do fogo, que lhe confere um prazo de validade muito mais alargado! “Fogo ou gelo, fogo ou gelo, fogo ou gelo...”.



“Agora que também tu, fogo, conseguiste intersectar o meu caminho não te transformes numa chama quase a extinguir-se”, implora! Sabe como esse fogo ainda é um recém-nascido, mas tenciona alimentá-lo para que ele cresça.



Hoje sentiu-se como se estivesse aprisionada num daqueles pesadelos, em que tentamos correr com todas as forças mas elas parecem não existir. Sentimo-nos impotentes, de tal forma que o corpo não se desloca para onde queremos ir e não conseguimos sentir o cheiro da pessoa que facilmente perdemos no horizonte, desse alguém que foge e espreita quando o procuramos. Já está habituada. A realidade pode adivinhar-se diferente mas os sonhos esses, nunca morrem...


Estes violentos enlevos têm violentos fins. E no seu triunfo se extinguem, como o fogo e a pólvora, que num beijo se consomem.

Friday, November 21, 2008

Little Princess IV


Prometeu ficar. Não uma promessa saída da sua boca, mas uma certeza produzida pelo seu carácter. Prometeu ficar para os seus feitos não serem esquecidos, desvalorizados. Prometeu que ela não esqueceria o seu nome e que o diria em palavras abafadas na mente tão frequentemente como respiraria ou como suspiraria. Como acreditou no poder dessa promessa? Como viveu na sua sombra? Como temeu cada vez que a evocava? Como se alguma vez ele conseguisse fazer valer as suas promessas, ainda que sendo do seu interesse, ainda que fizessem parte da sua vingança, dos planos que tinha para ela.

Planeava ser a sua eterna sombra, o seu eterno medo, a sua maldição e simultaneamente a sua esperança. Planeava ser tudo na sua vida, levando tudo o resto.

Sempre foi mentiroso e nunca a consciencialização dessa sua falsidade lhe foi tão benéfica, tão aprazível, tão deliciosa. Nunca uma mentira havia sido tão desejada...


Prometeu voltar. Não uma promessa que lhe tivesse provocado o desprazer de a ouvir sair dos seus lábios frios, mas desta vez provocada pela percepção da falha dos seus planos, tão minuciosamente arquitectados, com o único fim de a fragilizar, de a impedir de seguir em frente. Mas ela imediatamente se apercebeu que o desejo dele era a sua mais directa ameaça. Pretendia fragilizá-la, mas facilmente esquecia a fragilidade das suas promessas. Sempre foi (estupidamente) sobrevalorizado...

Que promessa se segue? Está pronta para a sua chegada, disso não duvida!


E a consciencialização da sua falsidade e do prazer que esta lhe proporcionava, de onde veio? Com quem veio?

Todos lhe diziam que alguém iria intersectar o caminho que percorria há já algum tempo para atingir essa percepção, essa verdade, essa luz...mas negava constantemente essa ajuda.

Ajuda? (se conseguisse ver a sua expressão certamente encontraria os seus doces lábios a desenharem aquele sorriso, tão inocente, tão puro...).


Sonhou-o e ele apareceu. Com a voz entrecortada pelo suave pânico agradeceu-lhe. Encontrou-o, mas teme que esse prazer dure pouco e que no mesmo momento passe do carinho ao desamparo, da calma ao desassossego, da plenitude ao vazio, da luz à escuridão...



"Antes de saber que era mau comer o fruto proibido, o homem teve de perceber o poder do seu aroma, sofrer o desejo, saborear o prazer da dentada, estremecer com o som da casca arrancada, receber o pedaço dentro da boca, conhecer as suas redondezas, os seus sucos, a suave textura...".



There is something I see in you and it might kill me...